Harper's Bizarre

Blog de Alexandre Mandarino, jornalista, escritor e único membro do projeto de música eletrônica Phunk Phreak.

Phunk Phreak - De que lado voce esta?

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Astounding Space Thrills: The Daily Adventures - http://www.astoundingspacethrills.com - copyright and TM Steve Conley, All Rights Reserved

The Crater Kid - http://www.craterkid.com - copyright and TM Marty Baumann, All Rights Reserved

Lethargic Lad - http://www.lethargiclad.com - copyright and TM Greg Hyland, All Rights Reserved

Doctor Cyborg -
http://www.InsightStudiosGroup.com - copyright Allan Gross, Mike Oeming
 and Mark Wheatley. TM Mark Wheatley, All Rights Reserved

19.2.02
 
Quem me chamou a atenção para isso foi o Lúcio Jorge Manfredi: amanhã, quarta-feira, acontecerá por apenas um minuto um evento raríssimo, que ocorreu pela última vez há mais de mil anos (e que nunca mais voltará a acontecer!). Logo depois das oito horas da noite, a data universal tomará a forma de um palíndromo perfeito:
20 horas e 02 minutos do dia 20 de fevereiro do ano 2002.
Dá para visualizar melhor em marcação digital:
20:02 20/02 2002
A última vez em que aconteceu um registro com simetria numérica tão perfeita e extensa foi às 10:01 do dia 10 de janeiro de 1001, quando com certeza não existiam relógios digitais (não sei se o palíndromo da marcação temporal foi percebido naquela época). E o mais curioso é que isso nunca voltará a acontecer, a não ser que em 30 de março de 3003 tenhamos a hora 30.
Comemorem amanhã, durante um minuto, a simetria perfeita!




 
Essa é realmente muito estranha.
A sonda espacial Pioneer 10, lançada há trinta anos, está sofrendo a influência de uma força bizarra que ameaça reescrever as leis da Física. Após tirar as primeiras fotografias de Júpiter, a Pioneer 10 ultrapassou os limites de nosso sistema solar em 1983. Agora, anos depois e para espanto dos cientistas da NASA, ela está sendo puxada por uma força desconhecida. A influência misteriosa não apresenta sinais de enfraquecimento e tudo indica que a sonda, acidentalmente, revelou uma nova força da natureza. O DR. Phillip Laing, membro do grupo de pesquisadores que tem rastreado a sonda viajante, garante que todas as teorias e hipóteses conhecidas já foram aplicadas ao fenômeno, sem nenhum sucesso. A Pioneer 10 foi lançada em 2 de março de 1972 e, juntamente com a Pioneer 11, revolucionou a astronomia com imagens detalhadas de Júpiter e Saturno. Em junho de 1983, a Pioneer 10 ultrapassou Plutão, o mais distante planeta do sistema solar. As duas sondas viajam agora a uma velocidade de 43 mil quilômetros por hora em direção às estrelas. As últimas pesquisas mostram que essa velocidade está decrescendo, como se a sonda estivesse sendo puxada, em uma ordem de 10 Km/h a cada século (uma força dez bilhões de vezes mais fraca que a da gravidade).
Os cientistas continuam monitorando os sinais da Pioneer 10, que se encontra atualmente a mais de 11 bilhões de quilômetros da Terra. Defeitos na sonda, resistência provocada por gases e o empuxo gravitacional de astros próximos são algumas das hipóteses já plenamente descartadas. Curiosamente, o mesmo efeito (com uma desaceleração de ordem idêntica) está sendo observado nas sondas Galileo e Ulysses, que ainda estão no nosso sistema solar. Uma força de tal magnitude, em escala cósmica, seria um elemento de grande influência na trajetória dos cometas, por exemplo, e até mesmo na vida terrestre. Uma hipótese que está sendo estudada agora leva a crer que o "empuxo" seria uma característica desconhecida da força gravitacional universal (o que exigiria mudanças nas leis da Física e nos conhecimentos de cosmologia e navegação espacial). Até 1988, a Pioneer 10 era o artefato de fabricação humana a maior distância da Terra (característica hoje apresentada pela Voyager 1, que está mais longe). A Pioneer 10 carrega uma placa de ouro e alumínio com desenhos de um homem e uma mulher, além de um mapa indicando seu ponto de origem no universo, o que a NASA chama de "mensagem na garrafa cósmica".

12.2.02
 
Galera, a partir de hoje o Bizarre passará a contar com cinco tiras diárias. Como as strips estão progressivamente desaparecendo dos jornais, resta a Internet. Duas delas são tiras de ficção-científica pop: Astounding Space Thrills e The Crater Kid. Astounding, de Steve Conley, é uma mistura de Matrix e Jetsons, repleta de idéias deliciosamente absurdas. Por sua vez, The Crater Kid, de Marty Baumann, já foi considerada "uma mescla de Jonny Quest e Calvin e Haroldo" e tem merecido elogios de figuras como Jim Steranko. Fecham a seleção a tira de humor Lethargic Lad, sempre sacaneando os nerds (merecidamente) e Doctor Cyborg, que conta com desenhos de Mike Avon Oeming, o mesmo da aclamada série Powers (uma nova aventura de Doctor Cyborg terá início em breve). Finalmente, a quinta tira é The Circle Weave e narra as sagas que acontecem em um mundo de fantasia medieval, com bons desenhos de Indigo Kelleigh. Enfim, tem para gostos bem variados. As tiras estarão sempre aí em cima, imediatamente sobre os meus posts. Serão atualizadas diariamente, por isso fiquem ligados para não perder nenhuma. Quem estiver se sentindo perdido em relação às histórias que já começaram ou aos personagens, é só clicar nos respectivos links para "Archives" e ler os episódios anteriores. E lembrem-se: quadrinhos são a experiência estética pop levada ao máximo das (in)consequências, são divertidos, fazem pensar e curam impotência. Portanto, nada de preguiça: olhem aí para cima e leiam! Ah, me digam se estão gostando das tiras.

 
O blog esteve meio parado esses dias, mas é Carnaval e, tirando o Cliff Steele, ninguém é de ferro. Make My Mardi Gras.

 
Parece que o recém-assinado contrato de exclusividade do escritor Warren Ellis com a DC Comics já está rendendo bons frutos. O desenhista Jerry Ordway anunciou em seu site - e Ellis confirmou posteriormente - que a DC e seu selo Wildstorm lançarão um especial chamado Planetary / JLA: Terra Occulta. A publicação terá formato Prestige e sairá provavelmente ainda em 2002. De acordo com Ellis, o especial é apenas um elemento de uma série de eventos que reativarão a série Planetary este ano, já que a revista tem estado no limbo há vários meses. O encontro entre a Liga da Justiça e o grupo de investigadores da cultura pop e da ficção pulp será desenhado por Ordway, mas o artista regular de Planetary, John Cassaday, deverá desenhar o especial Planetary / Batman: Night On Earth. Planetary é uma das melhores séries de quadrinhos do mercado norte-americano atualmente e estes especiais certamente serão muito interessantes, ainda que se passem fora da continuidade regular do título. Nenhuma imagem foi divulgada até agora, mas novidades certamente aparecerão no site de Warren Ellis. Enquanto isso, só nos resta ficar de cabeça para baixo e roer as unhas do pé enquanto Elijah Snow, Jakita Wagner e The Drummer não retornam em seu título próprio (Ellis informou que já escreveu até a edição 18).

1.2.02
 
Normalmente camp no que se relaciona a design, a Microsoft acertou em cheio (literalmente) em um dos anúncios de TV que fez para o Xbox, seu console de games. Vale a pena dar uma olhada. Pode ser visto em três formatos, MOV, MPG e WMV. Só digo uma coisa: a vida é curta.


31.1.02
 
Essa é dos diabos: Carolyn Risher, prefeita da pequena vila pesqueira de Inglis, na Florida, declarou Satã, oficialmente, uma "persona non grata" na cidade. A figura apareceu na CNN afirmando que os eventos de 11 de setembro a motivaram a tomar essa atitude. "O demônio não entra aqui", disse Risher. Please to meet you / Hope you guess my name.

 
O desenhista francês Moebius sempre esteve ligado ao cinema. Jean Giraud fez o design de O Quinto Elemento e do primeiro Alien e ainda esteve envolvido na primeira versão de Duna (a adaptação do romace de Paul Schrader), que acabou não sendo levada a cabo - David Lynch acabou dirigindo a versão que chegou às telas, sem as alucinações visuais de Moebius. Mas faltava algo. Esse algo chega à TV francesa no dia 1º de setembro de 2002: é a série Arzak Rhapsody, inteiramente concebida, escrita, desenhada e dirigida por Giraud. Tudo em cada um dos episódios será desenhado e colorido pelo próprio Moebius (no Photoshop) e depois animado através do programa Flash 5 pelo Millimages Online, um dos maiores estúdios de animação da França. O preço total da série deverá ficar em torno de 3.500.00 francos. Vejam aí duas das imagens da série:

Arzak

Arzak





28.1.02
 
Steve Wozniak, que em 1976 foi co-fundador da Apple com Steve Jobs, anunciou na quarta-feira que sairá de sua semi-aposentadoria e fundará uma nova empresa, dessa vez voltada para os serviços wireless. Amigo de escola de Steve Jobs, Wozniak disse, em Los Gatos, California, que formou uma nova companhia chamada Wheels of Zeus (ou simplesmente WoZ, uma referência ao seu próprio nome). O mais famoso cybergênio de garagem do mundo da informática disse que é chegado o momento de tirar vantagem dos avanços feitos em rastreamento por satélite, redes sem fio e chips mais poderosos. O site da nova empresa (que ainda não anunciou mais detalhes ou produtos) será woz.com, mas por enquanto este endereço ainda redireciona para o woz.org, site pessoal de Wozniak.
Steve Wozniak ajudou a criar os Apple I e II, dando forma e direção aos futuros Macs. Ele saiu da Apple nos anos 80 e passou a organizar festivais de rock e eventos filantrópicos, inclusive na antiga União Soviética. Na última década, ele ajudou instituições artísticas e científicas e escolas da região de Silicone Valley. O chairman da nova companhia será Tim Draper, o criador do Hotmail (serviço de mensagens gratuitas que hoje pertence à Microsoft). Se o que se conta sobre a participação de Wozniak nos primeiros Apple for verdade, podemos esperar gadgets e inovações bem interessantes para o mundo dos GPAs, aparelhos wireless e telefonia móvel, entre outras surpresas.

27.1.02
 
Prometi para mim mesmo que nunca iria falar de sexo nesse blog. É incrível como se fala de sexo hoje em dia. E falar de sexo é como descrever um quadro ou ouvir um fanho cantando sua música favorita. Será que se fala muito porque se faz pouco? O pior é que não: se faz muito sexo hoje em dia. Talvez se faça mal, mas se faz. Acho que foi o Gore Vidal que disse que "todos os discursos giram em torno de sexo e política". Como os iguais se repelem e todo discurso é sexual, falar de sexo nem sempre é sexy. E o pior é que, como sexo normalmente é uma coisa feita - pelo menos - a dois, sempre se acaba contando coisas indizíveis de terceiros nos blogs. Na era do "kiss & tell" institucionalizado, eu é que não vou sair expondo outras pessoas. E como narrativas sobre masturbação dificilmente são espetaculares, nada de sexo aqui no Bizarre.

Por falar em Gore Vidal, sempre é bom lembrar que o gore é vital: joguem GTA 3.

 
Bandas "deprês" me enchem o saco. Afinal, o sujeito tem uma banda de rock, lança discos, está em top charts, ganha dinheiro fazendo música e ainda vem reclamar de um monte de coisas no meu ouvido? Tá reclamando de quê?!?? Mas algumas raras pessoas têm propriedade para falar de alguns assuntos. Velvet Underground, Oh Sweet Nuthin':

Say a word for Jimmy Brown
He ain't got nothing at all
Not a shirt right of his back
He ain't got nothing at all
And say a word for Ginger Brown
Walks with his head down to the ground
Took the shoes right of his feet
To poor boy right out in the street

And this is what he said
Oh sweet nuthin'
She ain't got nothing at all
Oh sweet nutin'
She ain't got nothing at all

Say a word for Polly May
She can't tell the night from the day
They threw her out in the street
But just like a cat she landed on her feet
And say a word for Joanna Love
She ain't got nothing at all
'Cos everyday she falls in love
And everynight she falls when she does

She said
Oh sweet nuthin'
You know she ain't got nothing at all
Oh sweet nutin'
She ain't got nothing at all

Essa música é como alguém derramando vodka com conta-gotas no seu ouvido e está no subestimado álbum Loaded, que o Velvet lançou em 1970 (ano em que eu nasci).

 
O calor, recém-chegado do Zimbabwe, me chamou para fora de casa. Andei pela praia por alguns quarteirões. Quer dizer, "praia" é um termo que deixou de ser aplicável à "praia" das Pitangueiras há mais de vinte anos. Minha avó jura que, quando veio morar aqui, no início dos anos 50, a água era cristalina. Hoje, nem na areia dá para pisar. Mas de noite, vendo do asfalto, a escuridão esconde a sujeira e o mar de óleo e até que fica bonito. A Lua estava espantosamente cheia e a superfície da água refletia um vasto brilho de zinco. Ao lado do reflexo da lua, uma pequena ilha transformada em refinaria de óleo, com as luzes todas acesas, deixava sobre a água um reflexo do mesmo tamanho, só que dourado. Pareciam irmãos negativos de diferentes dimensões, como em um número de Invisibles.

 
De que lado você está?
Aprenda a ficar invisível.

 
Você espera o sinal abrir, atravessa a rua e, quando chega no meio da faixa de pedestres, como se a capa de Abbey Road tivesse sido criada pelo Tarantino, tira uma Uzi das costas da jaqueta e encosta na cabeça do motorista da picape, aos gritos de "sai do carro". Ele sai, você toma seu lugar e pisa no acelerador. A partir daí, é um videoclipe tetra-dimensional de crânios explodindo, miolos aprendendo a voar, carros de polícia atrás de você, sinais vermelhos de vergonha. A velha de vestido azul, o traficante de óculos escuros espelhados, a prostituta hiper-horny, o executivo de terno mal-cortado, todos viram upgrade de asfalto sob as rodas da picape. Você deixa a mão direita no volante, estende a esquerda com a Uzi para fora da janela e tabletes de diversão em forma de chumbo e kevlar saltam alegremente para dentro da cabeça, tronco e membros dos pedestres. Liberty City logo está apinhada de carros de polícia. Que não conseguem pegar você. BMWs do FBI. Não conseguem pegar você. Tanques do exército. Não conseguem. Você é o inimigo público número -1, o nêmesis definitivo.
Seria divertido, mas um pouco arriscado fazer isso na vida real. É aí que entra o magnífico Grand Theft Auto 3, a nova e desgraçadamente genial versão do simulador de bandidagem da Rockstar Games. Se os primeiros dois GTA eram legais, este é simplesmente perfeito. GTA 3 é o ano zero dos games eletrônicos, e não sou só eu que digo isso, mas sites respeitados como www.pcgamer.com. GTA 3 é o primeiro da série totalmente em 3D (os dois anteriores tinham um ângulo de visão superior, ou seja, o jogador via tudo de cima, como se voasse sobre a cidade). Dessa vez, nada de estética arcade. A versão renderizada de Liberty City, a cidade "onde o único palavrão é 'esperança'", tem nada menos que 40 quilômetros virtuais para ser explorada (e não estou usando uma figura de linguagem com essa palavra). Pela primeira vez na história dos games, é possível percorrer o mapa inteiro, na direção que o jogador quiser e quando bem entender, sem limitações de plot ou territórios não-renderizados. Perfeito.
E a trilha é fantástica: hip hop, house, techno e ópera (!!) compostos exclusivamente para as estações de rádio dos carros roubados. Nunca foi tão fácil e divertido roubar um carro. E ainda nem falei sobre as maravilhas de andar (mesmo a pé) pela cidade, carregando apenas um taco de beisebol e uma 45. Ou a epifania que é subir no telhado de um prédio e equacionar dezenas de pedestres e alguns coquetéis molotov. Por enquanto, só para Playstation 2, mas em abril sai a versão para PC (que, segundo boatos, deverá ter gráficos melhores que os da versão PS2). Deve ser proibido no Brasil, como os dois primeiros, mas tudo bem. GTA 3 é que nem ácido: se for legalizado, estraga.
Há um ano, quando vi as primeiras telas e li sobre como seria a jogabilidade de GTA3, eu disse que o jogo seria um divisor de águas no mundo dos jogos eletrônicos. Ninguém deu atenção, pra variar. Um ano depois, todas as revistas e sites decentes de reviews se renderam ao game: GTA3 foi o "jogo do ano" em quase todas as listas e certamente impõe novos padrões para os próximos títulos, sejam de que gênero e plataforma forem.

 
Bom, relutei muito em criar um blog. A esmagadora maioria dos blogs que eu conheço são caixas mal-ajambradas de nonsense e viagens egomaníacas cheias de lavação de roupa pública (ou púbica). Mas um blog talvez possa ser divertido, vejamos. Bom, resumindo, aqui você encontrará minhas opiniões, ações e reações às coisas que eu vejo, sinto, provo, cheiro, bebo, escuto e falo. Vou tentar manter uma atualização decente e postar textos, resenhas, opiniões, achismos, contículos e outros elementos bizarros. Bem-vindos ao mundo estranho da Harper's Bizarre.

 
Oi. Bem-vindos ao meu blog.